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Os
défices de instrução e de qualificação
profissional são um dos principais problemas que afectam
a população activa da zona histórica. Tais
défices têm consequências muito negativas tanto
ao nível da inserção profissional presente
como na empregabilidade futura de uma parte muito significativa
da mão-de-obra local.
A maioria da população residente no Centro Histórico
do Porto possui baixas qualificações profissionais
e escolares concentrando-se sobretudo na área do comércio,
restauração e hotelaria e serviços pessoais,
em profissões de fraca qualificação.
Predominam
as pessoas com quatro anos de escolaridade (45,7%). Com seis anos
de escolaridade encontram-se 21,8% e 13% concluíram o 9º
ano. Apenas 2% concluíram o ensino superior. Embora a situação
tenha vindo a melhorar nos escalões etários mais jovens,
não deixa de ser preocupante o facto de ainda hoje cerca
de 48% dos jovens que aqui residem não terminarem a escolaridade
obrigatória.
A taxa de desemprego é elevada (12,5%) afectando com maior
gravidade os jovens, que têm vindo a deparar-se com grandes
dificuldades para encontrar emprego e até em o manter com
alguma estabilidade. A taxa de desemprego entre os jovens aproxima-se
dos 20%. As mulheres são o segundo grupo mais atingido pelo
desemprego.
O
desemprego de longa duração (desemprego há
mais de um ano) é também uma situação
persistente. Dois terços dos desempregados encontram-se nesta
situação.
São também muito frequentes as situações
de emprego precário, sem vínculos contratuais, em
geral mal pagos e por vezes à margem dos esquemas de segurança
social. O trabalho informal e precário e o desemprego, nomeadamente
o de longa duração, constituem importantes factores
de empobrecimento e exclusão social.
Os processos de restruturação tecnológica e
na organização do trabalho, porque vem passando a
nossa sociedade, exigindo novas competências profissionais
e pessoais, tem de alguma forma atirado para as margens do mercado
de emprego as pessoas com menores recursos sociais e culturais.
Saliente-se
ainda, a difícil acessibilidade destes públicos às
acções de formação profissional clássicas.
Os critérios de selecção e as metodologias
de formação tendem a excluir estes grupos por não
considerarem devidamente algumas das suas características
e necessidades específicas.
Também o tecido empresarial presente no Centro Histórico,
constituído essencialmente por pequenos negócios e
alguma indústria de dimensão reduzida, tem vindo a
sofrer de um processo de envelhecimento, que só recentemente
parece estar a alterar-se por via da fixação de algumas
actividades novas na área da moda, da cultura e do lazer.
Consciente
desta situação a Fundação para o Desenvolvimento
da Zona Histórica do Porto, elegeu como uma das áreas
de intervenção prioritária a realização
de acções de formação, que proporcionem
melhores condições de inserção profissional.
Neste sentido tem vindo a ser concretizado um programa diversificado
de formação dirigido sobretudo a jovens em risco,
jovens à procura do 1º emprego, mulheres e desempregados
de longa duração. No conjunto destas acções
participaram até ao momento cerca de 400 pessoas.
Também a concretização de um programa de dinamização
da actividade económica, que tem passado pelo apoio a promotores
de pequenos negócios e de empresas, e pela criação
de "empresas de inserção" com o duplo objectivo
de inserir profissionalmente pessoas com particulares dificuldades
e responder a necessidades sociais que o normal funcionamento do
mercado não satisfaz, se constitui como objectivo essencial
da nossa intervenção.
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